Viatura da empresa vs viatura própria: simulação para Portugal

— Especialista em Tributação Portuguesa (AT)

Publicado: 03/04/2026 • Última revisão: 28/04/2026 • 6 min de leitura

Quando vale a pena dar viatura da empresa em Portugal? Simulação com tributações autónomas.

Os dois cenários

**Cenário A — Viatura própria com reembolso a 0,40 €/km**: o colaborador conduz o seu carro, a empresa reembolsa por km percorrido (até 0,40 €/km isento).[^at-irs] Sem encargos adicionais para a empresa, sem rendimento em espécie para o colaborador.

**Cenário B — Viatura da empresa**: a empresa adquire ou faz leasing operacional, suporta todos os custos directos, e atribui ao colaborador. Se houver utilização pessoal, surge rendimento em espécie e tributações autónomas em IRC.

Simulação para 1.500 km/mês

Um vendedor que percorre 1.500 km/mês em viagens profissionais (não conta o trajecto casa-trabalho).

**Cenário A**: 1.500 km × 0,40 €/km = 600 €/mês = 7.200 €/ano. Custo total para a empresa: 7.200 €. Impacto fiscal para o colaborador: zero.

**Cenário B (viatura segmento C, valor aquisição 30.000 € + IVA)**:

- Renting operacional: ~450 €/mês = 5.400 €/ano. - Combustível: 1.500 km × 0,06 € = 90 €/mês × 12 = 1.080 €/ano (apenas viagens profissionais; uso pessoal seria adicional). - Seguro e IUC: ~900 €/ano. - Manutenção: ~600 €/ano. - Subtotal anual: ~7.980 €/ano. - Tributações autónomas em IRC sobre viatura > 27.500 €: 27,5% + 10% (agravamento se prejuízo fiscal) sobre os 7.980 € = ~2.193 €/ano. - Custo total para a empresa: ~10.173 €/ano.

Diferença: a viatura da empresa custa ~3.000 € a mais que a viatura própria com reembolso.

Quando o cenário B compensa

- Equipas com **muito uso profissional pesado** (>3.000 km/mês) onde o reembolso a 0,40 €/km começa a ficar abaixo do custo real para o colaborador, gerando insatisfação. - **Vendedores premium / executivos** onde a viatura é parte do pacote remuneratório e contribui para retenção. - **Frotas standardizadas** onde o controlo de manutenção, seguro e segurança é estratégico.

Quando claramente perde

- Equipas pequenas e variadas em km/mês. - Tetos de tributação autónoma agravados em IRC (acima de 35.000 €, TA pode chegar a 35%). - Empresas em prejuízo fiscal (TA agravadas em mais 10 pp).

Híbrido: alguns têm viatura, outros usam reembolso

É uma combinação habitual. Atenção: política escrita clara e critérios objectivos para evitar discriminação interna ou alegações de tratamento desigual.

Conclusão

A simulação caso a caso é fundamental. Em 80% das PMEs portuguesas, o reembolso a 0,40 €/km é financeiramente mais eficiente. A viatura da empresa só faz sentido em perfis específicos ou como alavanca de retenção em senioridades altas.

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