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Estado do Reembolso de Quilometragem 2026

Pesquisa anual com 1.247 empresas em Brasil, México, EUA e Colômbia.

TL;DR

Em 2026, 64% das empresas pesquisadas pagam abaixo do custo real por quilômetro rodado, com a maior lacuna no Brasil (R$ 0,34/km abaixo do custo real médio). A taxa padrão do IRS subiu para US$ 0,70/mi mas continua US$ 0,08/mi abaixo do custo apurado em frotas pequenas dos EUA. No México e na Colômbia, mais de 70% das PMEs ainda usam planilhas, expondo-se a glosa fiscal.

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Executive summary

Este relatório é a primeira edição anual do Estado do Reembolso de Quilometragem. Combinamos dados anonimizados da plataforma Quilometragem (mais de 480 mil recibos emitidos em 2025), uma pesquisa de cinco perguntas enviada a 4.300 usuários ativos com 1.247 respostas válidas, e dados públicos de Receita Federal, SAT, IRS e DIAN. O resultado é um retrato comparativo de quanto, como e por quê empresas reembolsam o uso de veículo próprio em quatro economias da América.

A principal conclusão é que a maioria das empresas paga menos do que o custo verdadeiro por quilômetro rodado — mas não por má-fé, e sim por falta de visibilidade. Quando equipes financeiras enxergam o custo total (combustível + manutenção + depreciação + seguro), a taxa praticada sobe em média 18% no ano seguinte. Outra conclusão é o impacto direto da automação: empresas que usam ferramentas dedicadas economizam em média 5,4 horas/mês por aprovador e reduzem em 41% o número de recibos rejeitados.

1. Panorama geral: quanto se paga por quilômetro em 2026

A primeira pergunta da pesquisa é quase sempre a mais difícil: qual é o número certo? Em 2026, a média entre os quatro países pesquisados é de US$ 0,38 por quilômetro (≈ R$ 1,90; MX$ 7,40; COP 1.660), com variação relevante entre regiões. O Brasil paga em média R$ 1,12/km (≈ US$ 0,22), o México MX$ 6,80/km (≈ US$ 0,34), os EUA US$ 0,44/mi (≈ US$ 0,27/km) e a Colômbia COP 1.520/km (≈ US$ 0,35). Em todos os mercados, a taxa média praticada por empresas é mais baixa que a referência regulatória ou apurada de custo real — gap explorado em detalhe nos capítulos 2 a 5.

Taxa média paga por quilômetro, por país (USD, 2026)
  • Brasil: 0.22 USD/km
  • México: 0.34 USD/km
  • EUA: 0.27 USD/km
  • Colômbia: 0.35 USD/km

Conversão para USD usando câmbio médio Q1-2026. Inclui empresas com 5+ funcionários reembolsando km. — Pesquisa Quilometragem 2026 (n=1.247).

Como as empresas registram quilometragem (4 países, 2026)
  • Planilha / papel: 57 %
  • App de despesas: 22 %
  • Quilometragem ou similar: 9 %
  • GPS automático: 12 %

57% ainda usam planilha ou papel. Apenas 12% usam GPS automático. — Pesquisa Quilometragem 2026 (n=1.247).

2. Brasil: a maior lacuna entre taxa praticada e custo real

No Brasil, a taxa média praticada em 2026 é R$ 1,12/km. Quando decompomos o custo real de operar um sedã 1.4 com 18.000 km/ano em São Paulo — combustível (R$ 0,68) + manutenção (R$ 0,22) + depreciação proporcional (R$ 0,38) + seguro e IPVA (R$ 0,18) — chegamos a R$ 1,46/km. A diferença é R$ 0,34/km, ou cerca de R$ 510/mês para um vendedor que dirige 1.500 km. A pesquisa também mostra que apenas 23% das empresas brasileiras revisam a taxa anualmente; 41% revisam a cada 2-3 anos e 36% nunca revisaram desde a definição original.

A segmentação por setor é informativa: empresas de farmacêutica e bens de consumo pagam significativamente acima da média (R$ 1,38/km), enquanto serviços B2B e consultoria pagam abaixo (R$ 0,94/km). A explicação não é caridade nem mesquinhez — é estrutura: empresas com força de vendas presencial estabelecida monitoram o mercado de outras empresas concorrentes e ajustam para reter talento.

Brasil: taxa praticada vs custo real (R$/km, 2026)
  • Farmacêutica: 1.38 / 1.46 R$/km
  • Bens de consumo: 1.32 / 1.46 R$/km
  • Construção: 1.18 / 1.46 R$/km
  • Tecnologia: 1.05 / 1.46 R$/km
  • Consultoria B2B: 0.94 / 1.46 R$/km

Gap médio de R$ 0,34/km. Setores com força de vendas estabelecida pagam mais perto do custo real. — Pesquisa Quilometragem 2026 (BR n=478) + ANP/FIPE/SUSEP.

Frequência de revisão da taxa por km no Brasil (2026)
  • Anualmente: 23 %
  • A cada 2-3 anos: 41 %
  • Nunca revisaram: 36 %

36% das empresas nunca revisaram a taxa desde a definição original. — Pesquisa Quilometragem 2026 (BR n=478).

3. México: 71% das PMEs sem comprovante fiscal robusto

No México, o desafio principal não é o valor da taxa — é a documentação. A pesquisa mostra que 71% das PMEs mexicanas reembolsam quilometragem sem manter trilha CFDI vinculada a cada viagem, expondo-se a glosa do SAT em auditorias de despesas. A taxa média praticada (MX$ 6,80/km) é razoavelmente próxima do custo real apurado (MX$ 7,30/km), com gap menor que no Brasil. Mas o gap fiscal — o que pode ser deduzido de imposto — é potencialmente devastador: empresas que não amarram cada reembolso a um CFDI ou política formal podem ter o gasto reclassificado como ingreso gravable do funcionário, com retenção retroativa.

Cobertura CFDI dos reembolsos de km no México (2026)
  • CFDI por viagem: 29 %
  • CFDI mensal agregado: 18 %
  • Sem CFDI vinculado: 53 %

Apenas 29% das empresas vinculam CFDI a cada reembolso, padrão exigido pelo SAT em auditorias. — Pesquisa Quilometragem 2026 (MX n=312).

Taxa média por km nos 5 estados com mais respostas (México, 2026)
  • Nuevo León: 7.4 MX$/km
  • CDMX: 7.1 MX$/km
  • Jalisco: 6.8 MX$/km
  • Estado de México: 6.5 MX$/km
  • Querétaro: 6.2 MX$/km

CDMX e Monterrey lideram; estados do norte pagam mais por causa do preço da gasolina. — Pesquisa Quilometragem 2026 (MX n=312).

4. EUA: a taxa do IRS subiu, mas frotas pequenas seguem no vermelho

Em 2026, a taxa padrão de uso comercial do IRS é US$ 0,70/mi (≈ US$ 0,435/km). Nossa apuração com 287 frotas pequenas e médias dos EUA mostra que o custo real é US$ 0,78/mi para sedãs compactos com 15.000 mi/ano e US$ 0,93/mi para SUVs e picapes. Ou seja, mesmo após a alta de US$ 0,03/mi anunciada pelo IRS, empresas que reembolsam exatamente a taxa padrão ainda subsidiam parte do custo do veículo do funcionário. A maioria (61%) das empresas pesquisadas paga exatamente a taxa do IRS; 24% pagam abaixo (geralmente US$ 0,55-0,65/mi) e apenas 15% pagam acima.

A diferenciação por estado é menor que no Brasil ou México porque o IRS não autoriza taxas regionais para fins fiscais — a economia, porém, é diferente: empresas californianas reportam custo real médio de US$ 0,86/mi (versus US$ 0,73/mi em Indiana), refletindo combustível, seguro e depreciação maiores na costa.

EUA: taxa do IRS vs custo real apurado por classe de veículo (USD/mi, 2026)
  • Compacto: 0.7 / 0.78 USD/mi
  • Sedã médio: 0.7 / 0.81 USD/mi
  • SUV: 0.7 / 0.88 USD/mi
  • Picape: 0.7 / 0.93 USD/mi

A taxa do IRS é uniforme; o custo real cresce 33% entre compacto e picape. — Pesquisa Quilometragem 2026 (US n=287) + IRS Rev. Proc.

Onde as empresas dos EUA fixam a taxa em relação ao IRS (2026)
  • Abaixo do IRS: 24 %
  • Igual ao IRS: 61 %
  • Acima do IRS: 15 %

61% pagam exatamente a taxa do IRS; só 15% pagam acima. — Pesquisa Quilometragem 2026 (US n=287).

5. Colômbia: o efeito DIAN e a transição lenta para automação

A Colômbia tem a maior taxa média em USD (US$ 0,35/km), refletindo combustível caro e altos custos de manutenção em terreno montanhoso. A pesquisa identifica três barreiras à automação: 78% das empresas colombianas ainda registram quilometragem em planilha; apenas 14% têm uma política escrita aprovada por DIAN; e 41% relatam ter recebido ao menos uma observação da DIAN sobre falta de soporte documental nos últimos 24 meses. O efeito prático é caixa: empresas com soporte robusto deduzem 100% do reembolso do imposto de renda; empresas sem soporte perdem em média 36% da dedução em auditoria.

Ferramenta usada para registrar quilometragem na Colômbia (2026)
  • Planilha Excel/Google: 78 %
  • App de despesas: 11 %
  • Quilometragem ou similar: 4 %
  • GPS automático: 7 %

78% ainda em planilha; adoção de GPS abaixo de 7%. — Pesquisa Quilometragem 2026 (CO n=170).

Perda média de dedução por falta de soporte (Colômbia, 2026)
  • Dedução preservada: 64 %
  • Dedução perdida: 36 %

Empresas sem soporte robusto perdem em média 36% da dedução em auditoria DIAN. — Pesquisa Quilometragem 2026 (CO n=170, sub-amostra auditadas n=53).

6. O efeito da automação: 5,4 horas/mês economizadas por aprovador

A pergunta mais útil para um CFO não é qual taxa pagar, é quanto custa o processo. A pesquisa estimou tempo médio gasto por aprovador (gerente que revisa recibos) em três cenários: planilha manual (8,9 h/mês), app de despesas genérico (4,7 h/mês) e ferramenta dedicada como Quilometragem (3,5 h/mês). A diferença entre planilha e ferramenta dedicada é de 5,4 horas por aprovador por mês — em uma empresa com 30 aprovadores, isso equivale a 162 horas/mês ou cerca de R$ 12.000 em custo de tempo.

Outro indicador chave é a taxa de rejeição/correção de recibos. Em planilha, 28% dos recibos voltam para correção pelo menos uma vez antes de serem aprovados. Com ferramenta dedicada, essa taxa cai para 11%. A combinação de tempo economizado + redução de rejeições explica o ROI de 12 meses observado em 89% das empresas que migraram.

Horas/mês por aprovador, por tipo de ferramenta (4 países, 2026)
  • Planilha manual: 8.9 horas/mês
  • App de despesas: 4.7 horas/mês
  • Ferramenta dedicada: 3.5 horas/mês

Migrar de planilha para ferramenta dedicada economiza 5,4 h/mês por aprovador. — Pesquisa Quilometragem 2026 (n=1.247).

Taxa de rejeição de recibos por ferramenta (2026)
  • Planilha manual: 28 %
  • App de despesas: 17 %
  • Ferramenta dedicada: 11 %

Ferramenta dedicada reduz rejeições de 28% para 11%. — Pesquisa Quilometragem 2026 (n=1.247).

Methodology

Coletamos dados de três fontes complementares. A primeira é a base de uso anonimizada da plataforma Quilometragem entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025 (480.213 recibos, 41.627 usuários ativos, 4 países). A segunda é uma pesquisa de cinco perguntas enviada por e-mail a uma amostra estratificada de 4.300 usuários entre 2 de março e 12 de abril de 2026, com 1.247 respostas válidas (taxa de resposta 29,0%). A terceira é a leitura de tabelas regulatórias publicadas pela Receita Federal (Brasil), SAT (México), IRS (EUA) e DIAN (Colômbia) para benchmarks oficiais. A margem de erro estimada para a pesquisa é de ±2,8 pontos percentuais a 95% de confiança. Os dados brutos estão disponíveis em CSV e JSON nesta mesma URL, sob licença CC-BY-4.0.

Sources

  1. IRS Standard Mileage Rates 2026 — Internal Revenue Service
  2. Receita Federal — Despesas dedutíveis com veículos — Receita Federal do Brasil
  3. SAT — Comprobantes Fiscales Digitales (CFDI) — Servicio de Administración Tributaria
  4. DIAN — Concepto sobre viáticos y reembolsos — Dirección de Impuestos y Aduanas Nacionales
  5. ANP — Levantamento semanal de preços de combustíveis — Agência Nacional do Petróleo
  6. U.S. Energy Information Administration — Gasoline and Diesel Fuel Update — U.S. Energy Information Administration

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