Gig economy
Quem dirige por plataforma é proprietário de pequena empresa — e a maior despesa é o veículo.
Motoristas de app e entregadores são, do ponto de vista fiscal, proprietários de pequena empresa: a plataforma é cliente, não empregador. A maior despesa de operação é o veículo, e a única forma de transformar esse custo em dedução é o log rigoroso de quilometragem. Um motorista Uber/99 ativo gera 3.000 km/mês: a US$ 0,67/mi (2.014 mi/mês) recupera US$ 1.349/mês — US$ 16.190/ano. Um entregador iFood com 5.000 km/mês a R$ 0,85 recupera R$ 4.250/mês — R$ 51.000/ano. Estes números frequentemente excedem a renda líquida da plataforma.
A gig economy é a categoria onde mais dinheiro é deixado na mesa por desconhecimento. Plataformas emitem 1099-K (EUA), DARF (BR), CFDI (MX), mas raramente educam o trabalhador sobre como deduzir. Este guia mostra os passos por país, o que conta como milha dedutível (incluindo deadhead — deslocamento sem corrida ativa), e como evitar a armadilha de confiar apenas no dashboard da plataforma.
Nos EUA, plataformas emitem 1099-K para gross payments acima de US$ 5.000 (2024) — embora a IRS planeje reduzir o limite para US$ 600 em anos futuros. O motorista declara receita no Schedule C e deduz milhas na linha 9 — standard mileage rate de US$ 0,67/mi em 2025 ou actual expense. Crucialmente, milhas dedutíveis incluem (a) corridas com passageiro, (b) deslocamento entre corridas (deadhead), (c) trajeto a posto/lava-rápido se for veículo dedicado, e (d) trajeto a clientes da gig food. Não inclui deslocamento de casa para o primeiro pickup do turno (commuting).
No Brasil, motorista MEI declara receita anual via DASN-SIMEI; acima de R$ 81 mil/ano migra para Simples Nacional. Quilometragem entra como custo operacional. Para fins de Carnê-Leão (autônomo sem MEI), a quilometragem entra como despesa dedutível na DIRPF.
No México, motoristas Uber/DiDi sob RESICO simplificam até MXN 3,5M de receita anual; acima migram para régimen general de actividad empresarial, deduzindo combustível e mantenimiento com CFDI.
Não há reembolso na gig economy: o pagamento por corrida ou entrega cobre integralmente a operação. O trabalhador é seu próprio "financeiro" — e a única estrutura é a dedução fiscal. Por isto a documentação é tão crítica: o que não foi logado, não foi deduzido. Apps de log automático integram com Uber/iFood e capturam deadhead miles que o dashboard da plataforma não mostra.
Erros típicos na gig economy:
Motoristas e entregadores que documentam quilometragem completa (incluindo deadhead) recuperam frequentemente 30% a 50% do bruto da plataforma em dedução fiscal — convertendo gig pesada em margem real.