# Boletim de itinerário digital em Portugal: o que a AT aceita

> O papel acabou. Como ter boletins digitais que sobrevivem a uma fiscalização da Autoridade Tributária.

**Autor:** Inês Pereira — Especialista em Tributação Portuguesa (AT)  
**Publicado:** 2026-04-12  
**Atualizado:** 2026-04-28  
**URL:** https://quilometragem.com.br/blog/boletim-itinerario-digital-portugal

**TL;DR:** Como ter boletins digitais que sobrevivem a uma fiscalização da Autoridade Tributária.

- A Autoridade Tributária aceita há vários anos boletins de itinerário em formato electrónico, desde que cumpram os requisitos de identificação inequívoca, contemporaneidade e auditabilidade.
- Nome completo, NIF, função e centro de custo.
- Sem impressão, sem arquivo físico. - Aprovação rápida.
- Se o sistema permite alterar a quilometragem depois da aprovação sem ficar registo, a AT pode contestar a integridade.
- O sistema processa dados de localização aproximada (origem e destino), sob base legal de execução do contrato e interesse legítimo.

## O que substitui o papel

A Autoridade Tributária aceita há vários anos boletins de itinerário em formato electrónico, desde que cumpram os requisitos de identificação inequívoca, contemporaneidade e auditabilidade.[^rgpd-73] Esta clarificação está alinhada com a transição para a facturação electrónica obrigatória em B2B (em vigor para grandes empresas e a entrar progressivamente para PME até 2026).

## Requisitos do boletim digital

**1. Identificação do trabalhador.** Nome completo, NIF, função e centro de custo. O sistema deve associar inequivocamente a deslocação ao colaborador.

**2. Identificação da viatura.** Matrícula, marca/modelo. Se a viatura for da empresa, este campo serve para controlo de utilização.

**3. Dados da deslocação.** Data, hora (opcional mas recomendada), origem e destino (morada completa preferível), quilómetros e motivo profissional concreto.

**4. Sistema de garantia de integridade.** Hash criptográfico (SHA-256) ou assinatura electrónica qualificada. O Quilometragem aplica SHA-256 a cada PDF emitido, sendo possível verificar a posteriori se algum campo foi alterado.

**5. Conservação.** 10 anos a partir do final do ano fiscal a que se refere a deslocação. Os PDFs devem permanecer acessíveis para inspecção.

## Vantagens face ao papel

- **Custo zero por boletim.** Sem impressão, sem arquivo físico.
- **Aprovação rápida.** O responsável recebe notificação e aprova num clique.
- **Cruzamento automático com a tabela de tarifas vigente.** Sem cálculos manuais errados.
- **Exportação para a contabilidade.** CSV directo para o ERP ou para o gabinete contabilístico.

## Atenção a três armadilhas

**1. Edição posterior sem rasto.** Se o sistema permite alterar a quilometragem depois da aprovação sem ficar registo, a AT pode contestar a integridade. Quilometragem cria nova versão e marca a anterior como sobreposta, mantendo o histórico.

**2. Aprovação automática indiscriminada.** Aprovar tudo sem revisão é sinal de descontrolo interno. Defina regras: só viagens dentro do orçamento mensal e sem desvios suspeitos passam a aprovação automática.

**3. Misturar viatura própria com viatura da empresa.** São regimes distintos. A viatura da empresa não dá direito a reembolso por km, apenas a reembolso de combustível e portagens com factura.

## Conformidade com o RGPD

O sistema processa dados de localização aproximada (origem e destino), sob base legal de execução do contrato e interesse legítimo. Política de privacidade interna deve mencionar a finalidade, prazo de conservação e direitos do titular.

## Conclusão

Migrar para boletins digitais reduz a 1 minuto o que demorava 15 em papel, elimina perdas e garante conformidade com a AT em 2026. O retorno é imediato e o investimento marginal.

## Fontes

- [Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (UE) 2016/679](https://eur-lex.europa.eu/eli/reg/2016/679/oj) — Jornal Oficial da União Europeia (2026-04-28)
